O prefeito de Bagé garante que não fechará o comércio local, mesmo se a bandeira preta for confirmada na região

Para Divaldo Lara, a cidade não pode ser “punida” pela piora na situação de outros municípios. 

O prefeito reeleito de Bagé (Campanha), Divaldo Lara, afirmou que não decretará o fechamento ou alterações no horário de funcionamento do comércio, mesmo se o governo gaúcho negar recurso contra o mapa provisório da 32ª rodada do distanciamento controlado, que prevê bandeira preta (altíssimo risco de coronavírus) na Macrorregião Sul, que abrange outros 27 municípios. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa.

Pelotas e Bagé tem bandeira preta no mapa preliminar de covid-19

Segundo ele, a cidade não pode ser penalizada pelo agravamento da situação epidemiológica em Pelotas, que faz parte da mesma área na divisão do território gaúcho pelo sistema de gestão adotado desde maio pelo Comitê de Crise do Palácio Piratini para conter a expansão da pandemia. Lara menciona dados comparativos para reforçar a tese de injustiça:

“Dos 11 itens avaliados para estipular a bandeira preta, cinco são da Macrorregião, ou seja, não envolvem exatamente os números de Bagé. Pelotas teve 2.048 casos entre 4 a 11 de dezembro, enquanto Bagé contabilizou 229. Na semana passada tivemos 176 e na última foram 149. Além disso, o número de óbitos continuou em dez. Temos leitos clínicos e de UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e os óbitos de Bagé em 9 meses estão abaixo do registrado em uma semana em Pelotas”.

O mapa definitivo será anunciado na tarde de segunda-feira (14), com vigência a partir da primeira hora do dia seguinte. Sobre eventuais restrições caso a bandeira preta seja confirmada, o prefeito foi enfático: “Bagé não fechará. A cidade se manterá em atividade. Esta é a convicção que tenho como prefeito”.

Divaldo Lara também garantiu que não há necessidade de reativação do hospital de campanha, ao menos neste momento, porque há leitos para pacientes de coronavírus na Santa Casa local. “Na semana anterior os números eram muito parecidos, portanto Bagé não foi para a bandeira preta por seus números e sim pelos indicadores da macrorregião”, insistiu.

Configuração preliminar

Em mais um reflexo do agravamento da situação epidemiológica estadual, a configuração preliminar da 32ª rodada do distanciamento controlado inseriu bandeiras pretas no Rio Grande do Sul, pela primeira vez em sete meses de aplicação do sistema no Rio Grande do Sul. A classificação abrange as “Regiões Covid” de Bagé e Pelotas. Já a área de Cruz Alta recebeu status laranja (risco médio), cabendo às demais a cor vermelha (alto risco).

A bandeira preta representa o nível máximo de restrição no modelo implementado em maio e significa que tanto o contágio quanto a capacidade hospitalar para atender à demanda de pacientes chegaram a níveis críticos. Caso essa classificação se confirme, ambas as áreas terão que adotar restrições ainda mais rígidas às atividades econômicas e sociais.

Como de praxe, prefeituras e associações regionais têm até as 6h deste domingo (13) para recorrer da nova classificação. Os detalhes podem ser conferidos no site oficial distanciamentocontrolado.rs.gov.br.

Governo nega lockdown

Conforme com o Palácio Piratini, a bandeira preta demanda cuidados ainda mais extremos que os previstos para a vermelha, mas não estabelece a necessidade de adoção de um lockdown (uma medida extremamente rigorosa, no qual as pessoas precisam de autorização para sair de casa e só podem fazê-lo para tarefas muito necessárias, por exemplo).

“Esse status no modelo do distanciamento controlado tem por finalidade instituir o alerta máximo e reforçar a necessidade de cumprimento dos protocolos e das regras sanitárias”, sublinhou o site oficial estado.rs.gov.br na noite de sexta-feira, logo após a publicação do novo mapa premilinar.

(Marcello Campos)

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