• 22 de janeiro de 2022 12:21

Celular usado para enviar áudio que orienta contratação apenas de “pessoas bonitas” em rede de farmácias passará por perícia

out 27, 2021

Polícia Civil de Imbé  deve ter recebido nesta terça-feira (26) o celular funcional utilizado por uma então funcionária da rede de farmácias São João para enviar um áudio orientando colegas a contratarem só “pessoas bonitas”. Segundo o delegado responsável por investigar o caso, Antônio Carlos Ractz Júnior, a informação é de que o áudio teria sido apagado. Por isso, o aparelho passará por perícia, a fim de tentar recuperar o material. O celular será entregue pelo advogado da empresa, Ricardo Breier, e pelo diretor de Recursos Humanos da São João.

O delegado expediu intimação para ouvir a mulher que gravou o áudio, mas, por enquanto, ela ainda não foi localizada. A princípio, o depoimento da funcionária está previsto para sexta-feira (29). A Polícia Civil segue tentando a localização da acusada, que precisa ser intimada presencialmente.

Empregada há 13 anos na rede de farmácias, a mulher era coordenadora e enviou o áudio a um grupo de gerentes de lojas do Litoral Norte. Na sexta-feira (22), foi demitida por justa causa pela empresa, após a realização de uma sindicância interna, segundo o advogado da São João, Ricardo Breier.

— Depois de todo o procedimento de analisar o áudio e verificar se não havia mais pessoas envolvidas, visto que há muitas fake news nas redes, a sindicância foi concluída na quinta-feira (21) e a funcionária foi demitida na sexta. Agora, não temos mais nenhum vínculo com ela — relatou Breier, ressaltando que a demissão se deu em virtude de a funcionária cometer um ato que “vai contra toda a política da empresa”.

Segundo o delegado responsável pelo caso, o áudio contém crimes como o de homofobia. A polícia pretende questionar a mulher sobre se aquelas são orientações da própria empresa, o que a rede de farmácias nega. No áudio, que viralizou nas redes sociais, uma mulher diz que “feio e bonito é o mesmo preço” e orienta que se evite contratações de pessoas muito tatuadas, com muitos piercings, muito gordas e de “viados” que “virem a mão”.

Outro inquérito em andamento foi aberto pelo Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul (MPT-RS). A procuradora Patrícia de Mello Sanfelici Freischmann, responsável pelo caso, quer descobrir se os critérios discriminatórios para contratações existem de fato. O órgão solicitou informações à empresa, que tem dez dias para responder.

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