Cavalo Crioulo do Alegrete, 400 anos de tradição no Pampa gaúcho

Raça forte, ágil e dócil, em Alegrete tem muitos criadores, uma cidade tradicionalista, onde a paixão pela sua história, corre no sangue de todos os gaúchos

Alegrete é a capital mundial dos desfiles na “ Semana Farroupilha”, No dia 20 de setembro, quando comemoramos o dia do Gaúcho o desfile é feito. Já tivemos desfile com aproximadamente 8.000 cavalarianos, onde o cavalo crioulo é uma atração à parte.

Desfilam crianças, jovens, homens, mulheres e idosos. Cada um montado no seu cavalo e devidamente pilchados com a indumentária gaúcha, transformando o desfile mais bonito que existe. Só quem já assistiu um desfile no Alegrete sabe como é emocionante e inesquecível.

O cavalo crioulo tem como origem nos equinos das raças: Espanhola, Andaluz e Jacas, foram trazidas da Península Ibérica no Século XVI pelos colonizadores. Estabeleceram-se na America do Sul, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru e Sul do Brasil, a maioria desses cavalos passaram a viver livres nos pampas e planícies. Durante 4 séculos, as manadas selvagens foram formando-se, enfrentando o clima frio, seca, falta de alimentação, formando uma raça marcante pela sua resistência e rusticidade.

No século XIX, os estancieiros do sul do Brasil, começaram a ter consciência da qualidade dos cavalos crioulos que andavam soltos em suas terras. A raça crioula começou a ser preservada e no século XX ganhou notoriedade mundial, a seleção técnica exaltou as virtudes da raça nas planícies dos pampas gaúchos, suportaram o intenso frio do inverno e o calor desgastante do verão.

Alegrete e a tradição do cavalo crioulo

O Rio Grande do Sul é bem expressivo dentro da raça crioula. Alegrete tem várias cabanhas que são fortes, dedicadas e premiadas, são elas: Cabanha Itapororó, Cabanha Escondida, Cabanha São Marcos, Cabanha Reconquista com resultados de grandes campeonatos na Morfologia da EXPOINTER e Freio de Ouro. Tem também a Cabanha Diamantina que é muito premiada em marchas de resistência.

O cavalo crioulo é uma raça forte, ágil e dócil, em Alegrete temos muitos criadores da raça,  uma cidade tradicionalista, onde a paixão pelo nosso pago e sua história, correm no sangue de todos os gaúchos. A nossa tradição é passada de pai para filho, nossos usos e costumes são passados de geração para geração, por isso encontramos desfilando juntos no dia do Gaúcho, o pai, o avô, a mãe, a neta, o neto, todos exercendo o nosso tradicionalismo, exaltando nossos antepassados.

Temos orgulho de dizermos que somos gaúchos, e como diz o nosso Hino Rio Grandense:  ““Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra .”

Características do cavalo crioulo

– Dócil e ágil :São de baixo porte, musculatura consistente e estrutura óssea compacta. São ágeis e resistentes.

– Altura: Cerca de 1,35 m a 1,52m.

– Porte:  Pequeno.

– Pelagem: A clássica é o Gateado, ou seja, um baio escuro, comum a listra preta, desde o fim da crineira até a cauda, estrias escuras nos membros e muitas vezes nas cernelhas. Todas as pelagens são admitidas.

– Cabeça: Curta e longa, em forma de pirâmide, perfil reto ou ligeiramente convexo, olhos grandes e expressivos, afastados sobre o bordo do plano frontal, as orelhas são pequenas e afastadas da base.

– Anadadura: Marcha trotada.

– Temperamento:Vivo, inteligente, corajoso, forte, bem disposto e muito resistente.

– Aptidões: É um excelente cavalo de trabalho, ideal para a lida com o gado, para passeio e enduros.

Pelagens

– Baio – pelagem amarela.

– Gateado – pelagem amarelada mais escura que a do baio, da cor do pelo do leão.

– Colorado – de pelagem castanha clara, quase avermelhado.

– Mouro – pelagem negra com infiltração de branco.

– Picaço – pelagem negra com mancha branca na testa e três extremidades em tom branco.

– Rosilho – pelagem escura com infiltração de tons claros.

– Tordilho – pelagem branca.

– Tostado – com crina e cola de tonalidade acobreada e pelagem castanho escuro queimado.

– Zaino – pelagem castanha escura, de cor imediatamente anterior ao preto.

Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC)

Em Bagé\RS, 1932 foi fundada a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos, com o intuito de preservar e difundir a raça no Brasil. Segundo relatório da ABCCC, estão registrados aproximadamente 400.000 animais, entre machos e fêmeas, espalhados por 22 estados brasileiros. Depois da fundação da ABCCC a cidade de Pelotas\RS foi escolhida para sediar a Associação.

Expointer

A EXPOINTER é uma festa agropecuária de destaque nacional e internacional, realizada no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, na cidade de Esteio \RS. Considerada a maior feira de animais da América Latina. Ocorre sempre no mês de agosto e no início de setembro. A primeira edição ocorreu em 24 de fevereiro de 1901, em Porto Alegre. Em 1970 a  EXPOINTER foi transferida para Esteio. No ano de 2004 a feira recebeu um público de 720 mil pessoas. Na última feira em 2019, no setor de animais foram vendidos 10.269.226,00 Reais.  Na feira que é realizado o Freio de Ouro, que é a prova máxima da raça crioula.

 

Freio de ouro

O Freio de Ouro é a prova máxima da raça crioula no Brasil. Onde avalia-se tanto a parte morfológica e principalmente a parte funcional do cavalo crioulo. Os animais campeões são muito valorizados e pontuados perante a ABCCC. O Freio de Ouro é uma avaliação rigorosa e integral do cavalo crioulo. A seletiva mais importante de cavalos crioulos do mundo, acontece durante a EXPOINTER. Em 2017 a comercialização da raça, movimentou mais de 130 milhões.

Sindicato Rural de Alegrete

O Sindicato Rural de Alegrete é uma das mais antigas entidades rurais do RS. A entidade máxima da classe rural alegretense, que congrega todos os produtores rurais, tem sua longa história acompanhada de lutas, sacrifícios e muita união.

Tudo começou em 1919, quando surgia a Associação Rural de Alegrete, criada por um grupo de agropecuaristas que almejavam unir a classe produtora para alcançar novos horizontes. Foi em 1965, que transformaram a entidade em Sindicato Rural. Nascia uma das mais fortes e antigas entidades rurais gaúchas e brasileiras.

Desde o início trabalham em defesa da agropecuária alegretense, com o tempo foi crescendo e acabou exercendo influência no meio social e político do gaúcho. É a entidade que realiza a Feira Agropecuária de Alegrete.

Evolution M.O 

Em entrevista com o médico veterinário Márcio Flores da Cunha Chaiben, gerente regional de vendas do sul: RS, SC e PR, unidades de negócios de pecuária da Indústria Vansil Saúde Animal, de fabricação de produtos veterinários.

Ele indica o EVOLUTION M.O para os cavalos crioulos, que é um suplemento para equinos de todas as idades, na sua fórmula possui vários nutrientes e alguns de grande importância como: óleo degomado de arroz, aminoácidos essenciais, complexo vitamínico completo, minerais quelatados que melhoram a absorção e uma grande fonte de vitamina B12, onde na sua fórmula possui   50gr, o mais concentrado do mercado. É um produto muito usado pelos criadores e ele super indica.

A força da mulher gaúcha criolista

A mulher gaúcha vem ganhando força dentro do Movimento Tradicionalista Gaúcho e hoje vou falar de uma mulher alegretense, tradicionalista e criadora de cavalos crioulos.

O nome dela é Christina de Freitas Bandeira de Mello, que desde guria está no meio de criadores de cavalos crioulos, sempre fez parte de sua vida até chegar a ser jurada do Freio de Ouro e como mulher, não deve ter sido fácil chegar até onde chegou, visto que a criação de cavalos, geralmente era feita por homens, pra fazer ser aceita passou por muitas provações. Ela é médica veterinária, está há 19 anos no corpo técnico da ABCCC, onde são cerca de 28 profissionais que atuam selecionando e trabalhando para a raça crioula. Atua também como jurada, julgou 3 edições do Freio de Ouro, além da tradicional Exposição do Prado, em Montevideo.

Ela disse que no início o trabalho foi difícil, até se tornar conhecida e mostrar seu trabalho. Ao mesmo tempo que tinha a “desvantagem” de ser mulher em um meio muito masculino, ela teve a vantagem de crescer na raça. Por ser filha e neta de criadores, já estava totalmente inserida no contexto. Aos poucos as coisas foram acontecendo na sua vida  e a diferença foi ficando para trás. Hoje em dia ela faz parte de todo esse movimento e criação da raça crioula e não sofre mais nenhuma resistência com o fato de ser mulher.

Texto: Márcia Ximenes Nunes

Fonte: Site Agro Floresta Amazônia

 

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